Blog Clínica Greenwood

Tratamento para Compulsão por Compras

A Clínica Greenwood começou a oferecer tratamento para compulsão por compras no ano passado, diante do aumento dos casos.

A oniomania

Quando se analisa o perfil de pessoas excessivamente endividadas, em muitos casos verifica-se que elas sofrem de uma patologia chamada oniomania, ou compulsão por compras. Trata-se de um transtorno que foi descrito como síndrome psiquiátrica pela primeira vez no início do século passado. É uma condição crônica, sendo que as mulheres correspondem a mais de 80% dos casos, conforme um estudo dos pesquisadores Hermano Tavares, Daniela Lobo, Daniel Fuentes e Donald Black, publicado na “Revista Brasileira de Psiquiatria”.

Nos últimos anos, a Clínica Greenwood, especializada no tratamento de dependência química, drogas e alcoolismo, começou a ser procurada também por compradores compulsivos, bem como por seus familiares. Em meados de 2011, passou a atender casos de oniomania. A psicóloga da clínica, Monique Brandão de Freitas, diz que o processo no organismo das pessoas com a patologia se assemelha ao de um dependente de drogas ou álcool. “O sistema lím- bico é atingido”, explica. Isso significa que, no momento da compra, elas são tomadas por uma viciante sensação de prazer.

Assim como as demais dependências, a oniomania possui cinco fases. Na primeira, a pessoa aumenta a frequência das compras gradativamente. Na segunda, começa a abusar e, na terceira, já está dependente. Geralmente, é quando as dívidas aparecem. Pedir dinheiro à família é outro sintoma dessa etapa. Na quarta fase, ocorre a total ausência do senso crítico. Na última, o consumidor passa por uma falência moral, física e psicológica. “Muitos casais se separam por conta desse problema”, relata Monique.

Aos 18 anos de idade, no geral, o indivíduo já começa a manifestar certa predisposição à oniomania, porém a patologia costuma aparecer mesmo pouco antes dos 30 anos. Há uma explicação para isso. No início da vida adulta, as pessoas possuem inúmeros sonhos e projetos. Poucos anos depois, as frustrações começam a surgir, o que frequentemente coincide com a independência financeira.

O psiquiatra Juan Albuquerque, também da clínica Greenwood, lembra que uma das principais características do compulsivo é a prevalência de pensamentos intrusivos que incomodam e são aliviados com a compra. “A pessoa sabe que se gastar vai contrair uma dívida e, mesmo assim, não consegue resistir”, afirma. Ele enfatiza que a internet agravou o quadro para a patologia, já que o consumidor não precisa nem mesmo sair de casa. Há situações, porém, em que o estrago é feito in loco. Albuquerque lembra o caso extremo de um paciente que comprou em um único dia quatro caminhonetes e três televisores de tela plana. Em situações como esta, explica, é preciso investigar se a pessoa possui outros problemas psiquiátricos.

José Geraldo Tardin, presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), também acumula histórias. Ele relata o caso de uma mulher que foi declarada insolvente (confira na página 23 como funciona a insolvência civil) e teve de ser “interdita- da” por um familiar, que por determinação do juiz passou a administrar todos os seus recursos. As dívidas dela somavam mais de R$ 1 milhão e, apesar do salário altíssimo, ela não tinha patrimônio. “Lembro-me de uma vez em que ela entrou em uma loja e comprou quatro bolsas, que somaram R$ 30 mil.”