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Especialistas: combate ao crack só decola com capacitação de profissionais

Depois de a presidente Dilma Rousseff lançar o Programa Nacional de Combate ao Crack, no fim do ano passado, um acordo entre o governo do Estado do Rio de Janeiro e os ministérios da Justiça e da Saúde deve ser assinado nos próximos dias, fixando as medidas a serem adotadas no estado nos próximos meses. A tentativa é de conter o avanço da droga – considerada uma das mais nocivas atualmente e que seduz cada vez mais adultos e, principalmente, adolescentes e crianças. Para especialistas ouvidos pelo Jornal do Brasil, a maior dificuldade enfrentada para recuperar os usuários deste narcótico no Rio de Janeiro tem sido a falta de profissionais especializados e a ausência de atendimento médico adequado.

Em 2011, as ações da Secretaria Municipal de Assistência Social retiraram 3.195 usuários de crack das ruas. Destes, 475 são crianças ou adolescentes. As vagas para internação compulsória, no entanto, não passam de 194, em quatro Centros Especializados de Atendimento à Dependência Química (CEADQs).

A ausência de leitos parece não ser novidade para o governo federal, já que o ousado programa, intitulado “Crack: É Possível Vencer”, prevê a internação hospitalar dos dependentes, a criação de leitos em hospitais públicos para atendimento dos usuários e até a implantação de consultórios nas ruas das cidades brasileiras.

Para a diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Atenção ao uso de Drogas (Nepad), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Ivone Ponczek, o governo federal deve fixar as ações do plano ciente de que a abordagem e o tratamento são questões médicas e não apenas de segurança pública.

“Na cidade do Rio de Janeiro o acolhimento de dependentes químicos mais parece perseguição aos camelôs. A questão é médica. Não basta correr atrás das crianças e interná-las. É preciso tratá-las e há uma carência no tratamento, pois faltam profissionais que saibam tratar dependentes de crack não apenas no Rio, mas no país inteiro”, sentenciou a psicanalista.

Com relação ao modelo de internação compulsória, adotado pelo prefeito Eduardo Paes há menos de um ano, Ivone Ponczek também aponta deficiências. “A internação compulsória deve ser menos policialesca. É preciso um atendimento à população refém desta droga. Jogar os dependentes em abrigos não adianta nada, porque não recupera-se ninguém”.

Para o médico e vereador do Rio, Paulo Pinheiro (PSol), há um alarde em torno do plano de enfrentamento do crack.

“Os governos fazem muito carnaval com relação às políticas públicas. No Rio, não faltam recursos. A Prefeitura gastou mais de R$ 100 milhões em propaganda. Não basta retirar estas crianças da rua. É preciso capacitar e contratar profissionais da área médica, como psicólogos e psiquiatras, para que o tratamento seja feito adequadamente. Se isto não for feito, não vai haver combate nenhum ao crack e a esta medida da Dilma Rousseff vai ser muito ousada no papel e inexistente na prática”, destacou o parlamentar.

Centro, Jacarezinho e Manguinhos são foco do governo federal

Para traçar as principais necessidades para a execução do plano nas 27 unidades federativas do país, uma comitiva de técnicos do Ministério da Saúde estão percorrendo os estados brasileiros. As visitas começaram em fevereiro e vão até abril.

No estado do Rio de Janeiro, um relatório que deve ficar pronto na próxima semana, vai apontar os principais problemas para o enfrentamento do crack em território fluminense. Já no caso do município do Rio, três áreas já foram destacadas como de “urgência”: as favelas vizinhas Manguinhos e Jacarezinho e o bairro do Centro.

A instalação de leitos para atender os dependentes destas áreas, no entanto, surpreende. Apenas 20 leitos serão lançados para atender os usuários do Centro. Nas outras duas regiões ainda não há uma estimativa de leitos necessários.

“Aos poucos vamos criar os leitos necessários para atender os dependentes”, defendeu-se o coordenador do Departamento de Saúde Mental do Ministério da Saúde Roberto Tykanori.

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Polêmica, ação na Cracolândia completa 2 semanas

Polêmica, ação na Cracolândia completa 2 semanas
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A ação da Polícia Militar apreendeu, até o momento, pouco mais de dois quilos de crack


O tráfico de drogas vai se afastar da Cracolândia para evitar prisões, por isso, o serviço de inteligência do DENARC é fundamental neste momento. A operação da Polícia Militar, que completa hoje duas semanas, apreendeu pouco mais de dois quilos de crack.

Já o Departamento de Narcóticos localizou, em apenas uma ação, dezesseis mil pedras da droga, que somam mais de sete quilos. Para a cúpula da segurança pública, pequenas apreensões na Cracolândia são normais e a dificuldade de Publicidadeencontrar grandes quantidades tende a aumentar.

A presença ostensiva da Polícia Militar fez com que usuários e traficantes se espalhassem e fracionassem as pedras para diminuir o tamanho. Em entrevista a Thiago Samora, o diretor do DENARC, Wagner Giudice, disse que a polícia agora vai agir para encontrar os laboratórios do crack. “Dentro da Cracolândia é muito difícil você fazer uma apreensão de mais de meio quilo. Quando chega lá, é muito espalhado”.

De acordo com a PM, o tráfico de drogas não acabou na Cracolândia, mas o local está pronto para o trabalho dos agentes de saúde. O comandante da PM, coronel Álvaro Batista Camilo, explicou que não haverá ação integrada para poder aumentar as chances de adesão ao tratamento.

O secretário de Saúde, Giovanni Guido Cerri, garante que o governo do Estado está aumentando o número de leitos para internação dos dependentes químicos. Cerri lembrou que o crack é um problema sério e enfatiza que o álcool é a porta de entrada para as drogas. “O grande problema de saúde pública é o álcool, que é a porta de entrada para as drogas”.

O governador de São Paulo elogiou o trabalho dos assistentes sociais que convenceram centenas de usuários a optar pela internação sem obrigatoriedade. Segundo Alckmin, o trabalho é longo e a polícia vai continuar na região da Cracolândia por tempo indeterminado.

O governador destaca que a reunião da última semana colocou o Ministério Público por dentro das ações da polícia no Centro. De acordo com Geraldo Alckmin, agora as instituições devem agir de maneira mais integrada.

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Justiça determina internação de viciada em crack

Justiça determina internação de viciada em crack
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A Justiça do Rio determinou, nesta sexta-feira, a primeira internação compulsório de um adulto viciado em drogas. A paciente é uma jovem de 22 anos, grávida, que foi recolhida pela Secretaria Municipal de Assistência Social, na última quarta-feira, durante operação na favela do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio.

Segundo o secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem, a internação só foi possível graças a um pedido da família da jovem, preocupada com seu estado de saúde.

“Essa jovem estava colocando em sério risco o feto. A juíza Ivone Caetano (da da Vara da Infância, Juventude e do Idoso da Capital) atendeu de imediato o pedido. Neste momento, ela está sendo avaliada em um dos Centros de Atenção Psicossocial da prefeitura do Rio. Após os exames ela poder seguir para uma de nossas unidades de acolhimento onde ter condições dignas para ter seu filho e recuperar a cidadania”, afirmou o secretário.

Na manhã desta sexta-feira, agentes da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) realizou mais uma ação para recolher usuários de crack. A 12ª operação foi deflagrada na Favela Parque União, em Bonsucesso, comunidade que integra o Complexo da Maré.

Os 30 agentes da Prefeitura também recolheram usuários de drogas na Ilha do Governador. No total, 44 pessoas foram retiradas das ruas. A operação teve o apoio de 11 policiais civis da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), além de 20 policiais militares do Batalhão de Policiamento Rodoviários (BPRv).

A ação da SMAS se concentrou em pontos estratégicos da comunidade. Vinte usuários – 31 adultos e três crianças – foram recolhidos em um viaduto usado como cracolândia. No local, que também serve de moradia, os agentes apreenderam estiletes, chaves de fenda, tesouras e facas. Materiais usados no consumo de crack, remédios e até uísque foram encontrados.

Em um viaduto que dá acesso à Ilha do Governador e ao Aeroporto Tom Jobim, outras dez pessoas foram localizadas. Os maiores de idade foram levados para a delegacia da região e o menor para a DPCA. Após uma triagem, os usuários serão encaminhados para abrigos.

 

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